Negociação avaliada em US$ 2 bilhões teria sido vetada por Pequim; fundadores e investidores articulam recompra da startup de inteligência artificial
A Manus, startup especializada no desenvolvimento de agentes de inteligência artificial, deverá voltar a operar de forma independente após autoridades chinesas impedirem sua venda para a Meta. A negociação, estimada em aproximadamente US$ 2 bilhões, teria sido barrada por Pequim por questões relacionadas à segurança nacional.
Com a interrupção do acordo, fundadores e investidores da Manus passaram a trabalhar na retomada do controle da companhia. O grupo teria reunido cerca de US$ 1 bilhão para realizar a recompra da empresa. Entre os investidores envolvidos no processo está a gigante chinesa de tecnologia Tencent.
A reorganização da companhia deverá provocar mudanças relacionadas aos dados armazenados pela plataforma. Conforme as informações divulgadas, a Manus excluirá dados de usuários gerados após 29 de dezembro de 2025, medida vinculada ao processo de separação e à reestruturação da empresa após o fracasso da negociação com a Meta.
Mesmo diante das mudanças societárias, a operação internacional deverá ser mantida. A Manus continuará funcionando a partir de Singapura, onde concentra suas atividades. A empresa ganhou projeção no mercado tecnológico com o avanço dos chamados agentes de inteligência artificial, sistemas desenvolvidos para executar tarefas de maneira mais autônoma a partir das solicitações dos usuários.
A tentativa da Meta de adquirir a Manus ocorre em um momento de forte disputa entre as principais empresas globais pelo domínio de tecnologias de inteligência artificial. Além dos grandes modelos generativos, o mercado tem direcionado investimentos para sistemas capazes de pesquisar informações, analisar documentos, desenvolver projetos e realizar sequências complexas de tarefas com menor intervenção humana.
O veto chinês demonstra ainda como empresas de inteligência artificial passaram a ocupar uma posição estratégica nas relações entre governos e grandes grupos de tecnologia. Questões envolvendo transferência de tecnologia, propriedade intelectual, processamento de informações e controle de dados estão cada vez mais presentes na análise de grandes aquisições internacionais.
Com a retomada de sua independência, a Manus entra em uma nova etapa de sua trajetória. Além da reorganização financeira, a companhia terá pela frente o desafio de manter sua expansão em um segmento altamente competitivo, enquanto investidores e governos acompanham com atenção crescente o desenvolvimento e o controle das tecnologias de inteligência artificial.
